Sou mãe de 3, e quando fui mãe da minha segunda filha, mergulhei a sério. Vivi como mãe a tempo inteiro durante 6 anos e senti tudo o que isso tem de bonito: a realização, a gratidão, a satisfação de acompanhar cada fase dos meus filhos, a plenitude de estar a fazer “o certo”.
Mais tarde veio a outra parte, aquela de que quase ninguém fala sem se sentir culpada.
A solidão (ainda mais num país que não era o meu). O cansaço emocional. A frustração de não ter tempo para mim. O peso de estar sempre “ligada”. A falta de reconhecimento. E, aos poucos, aquela sensação estranha de já não saber quem eu era para além de mãe.
Mesmo com essa culpa, comecei a fazer diferente. Procurei apoio, ferramentas, desenvolvimento pessoal, estratégias práticas, mudanças de mentalidade e de dinâmicas instaladas, para chegar ao lugar onde hoje vivo a maternidade com muito mais presença, tempo, espaço mental e liberdade, porque a vida em família deixou de ser uma coisa que eu carregava sozinha, para um “bem” que eu e o meu marido sustentamos, de forma mais justa.
Cheguei à compreensão de que, não me resignar a um modelo de mãe que me foi vendido como “certo” e fazer de mim uma prioridade, tem um efeito muito positivo na minha vida e na forma como vivo o meu papel de mulher e mãe, e que com isso, posso também ser uma melhor influência na vida dos meus filhos.
Acredito genuinamente que o impacto que trago à minha vida hoje, na forma como escolho viver a vida em família e implementar dinâmicas que não me deixam sozinha a cuidar da casa e dos filhos, vai propagar-se ao futuro que eles vão viver. Porque quando uma mãe muda o lugar que ocupa dentro de casa, muda também o modelo que os filhos levam para a vida.
É isso que eu quero deixar: um legado.
O meu caminho trouxe-me ao propósito de libertar outras mães da ideia de que têm que fazer tudo sozinhas.
Trabalho para que as mães deixem de viver em sobrecarga e possam experiênciar a maternidade com mais equidade, leveza e espaço para si.
Porque no fim, o que me move é isto: contribuir para um mundo onde a mãe não tem que desaparecer por trás da lista de tarefas para ser “boa mãe”. Um mundo onde as mães se sentem vistas e honradas, onde a vida em família é mais justa porque as responsabilidades são realmente partilhadas, e onde os nossos filhos crescem a conhecer um modelo de maternidade que não é sacrifício constante, mas um portal de consciência, poder e liberdade.
O cheiro de café – embora não beba
Livros Infantis – de tal forma, que escrevi um: “Igor o cão emigrante” da Alfarroba Editora – Wook. (Ver)
