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Elisabete José

Porque deves fazer da autoconsciência a tua prioridade enquanto mãe

Cada vez mais vemos mulheres confiantes e que se sentem plenamente realizadas com o seu sucesso profissional e situação social, sem que tenham o desejo de ter uma família e filhos como elemento essencial em suas vidas. A imagem vendida às mulheres na sociedade de hoje em dia está a mudar. No entanto, o papel de mãe ainda tem muitos estereótipos associados e a autoconsciência pode aliviar-nos do seu peso!

A crença de que ter marido e ser mãe é uma meta de vida e um fator de sucesso, ainda está muito ligada às mulheres. Esta é uma das razões pelas quais nos perdemos, tantas vezes, quando embarcamos na jornada de ter filhos. Trabalharmos a nossa autoconsciência enquanto mãe, pode ajudar a perceber o que muitas vezes não conseguimos ver antes e traz mais clareza a toda esta jornada da maternidade.

Esta ideia subtil de marido e filhos ser um objetivo de vida para as mulheres, pode começar logo em tenra idade. As simples histórias infantis que são repetidamente lidas às crianças (principalmente meninas) em que as princesas e príncipes se encontram e vivem felizes para sempre, são grande influência nesta crença.

Eu cresci com essa imagem.

A minha mãe vem de outra geração. Nascida nos anos 30, a educação e as condições económicas em que cresceu eram bastante difíceis e o papel da mulher na sociedade estava ainda mais ligado ao seu futuro papel de esposa e mãe. Foi educada nos padrões de servir ao marido e aos filhos, e somente isso, delineou praticamente a sua vida! Viveu sempre com a ideia de colocar os filhos em primeiro lugar. E ainda hoje (uma rija avó de 83 anos) mantém essa crença.

Enquanto crescia, muitas foram as vezes que protestei com minha mãe pela imagem de sacrifício que ela tantas vezes tinha da vida e pela forma que ela tinha escolhido viver.

No entanto, como se diz muitas vezes, é apenas quando se passa pela experiência da maternidade que realmente entendemos o que ela significa e representa, e eu também, muitas vezes, me encontro neste mesmo papel de devoção exagerada. Inconscientemente, assumi a crença de que uma vez mãe, a criança será sempre a prioridade.

A resposta da Autoconsciência

Agora que sou mãe de 3 filhos com menos de 10 anos, a minha perceção sobre esta ideia mudou. Percebi, depois de muita frustração e cansaço emocional, que preciso de tempo e espaço para cuidar de mim mesma. Isto significa passar menos tempo com meus filhos e isso não me torna má mãe ou significa que amo os meus filhos menos. Pelo contrário, cuidar de mim torna-me uma mãe mais disponível e com mais disponibilidade emocional para meus filhos.

Agora, aquilo a que me refiro aqui para cuidar de mim, vai muito além do que partilhei anteriormente. Falo sobre ir a um nível mais profundo, onde se procura enquanto mãe, ter mais autoconsciência e autoconhecimento.

A maternidade permite-nos ver nosso reflexo todos os dias e muitas vezes, não é assim tão bom de ver. Pode ser doloroso. Mas é também uma oportunidade de entender tudo o que nos incomoda e perceber o que poderíamos e gostaríamos de melhorar.

Precisamos perceber o que estamos a sentir, criar espaço para nos observarmos, para que possamos nos conectar com as nossas emoções e lidar com elas de maneira mais adequada. Cuidarmos de nós mesmas, olhar para nossas necessidades de adultas e até mesmo da criança que fomos, é a ponte para uma maternidade mais equilibrada.

Estar mais disponível para mim mesma, enquanto mulher e mãe, para me nutrir emocionalmente, para alimentar a minha alma e ouvir o que realmente sinto e quero, traz-me para um lugar de mais autoconsciência. Deste lugar, posso então ser uma mãe mais disponível e conectar-me melhor com o que os outros ao meu redor mais precisam.

O que pode ajudar a ter mais autoconsciência enquanto mãe?

Meditação

Tenho vindo a reconhecer, embora tenha demorado muito tempo até me dar esta oportunidade, que a meditação me ajuda nesse processo de ser mais autoconsciente. Sempre achei que a meditação era algo que precisavas de aprender especificamente para fazer e que era preciso ter habilidades distintas. Mas é muito mais simples do que possas pensar e muito se baseia na tua intenção. A tua intenção de desacelerar, de simplesmente estares ali presente e focada na tua respiração, ou na voz que te guia se for uma meditação guiada. Há muitas escolhas e possibilidades de prática, mas há que começar por dar oportunidade! Estou longe de ser uma guru, mas consigo perceber o efeito positivo que tem sobre mim.

Mindfulness

Tento praticar a atenção plena. Digo tentar porque, é muito mais desafiante para mim do que meditação. Pratico mindfulness como mãe de 3 e isso envolve, por si só, muito à minha volta a grande parte do tempo. No entanto, uma vez que a ideia é realmente manter a atenção no momento presente e no que se está a fazer, com todos os sentidos, é uma ótima maneira de desligar de todo o barulho de fundo que me envolve.

Escrever

Escrever tem sido terapêutico.  Tornou-se um terapeuta silencioso e de linhas abertas para me receber onde liberto tudo o que me vai na alma. Escrevo os meus sonhos, objetivos, planos, ideias, desejos, vida de sonho, afirmações, frustrações, tristezas, medos, … tudo o que está em mim, me faz pensar sobre mim e é importante para mim.

Para além do papel da mãe

Com estas ferramentas, tenho desenvolvido a minha autoconsciência e tenho vindo a perceber que, olhar para mim além do meu papel de mãe, é, às vezes, uma descoberta difícil e solitária e que requer um foco contínuo!

É necessário reconectar diariamente e libertar espaço para acolher o que surgir, mesmo que muito do que vier à tona tenha que ser ajustado logo de seguida.

Percebi que sou melhor mãe quando me permito ser mais do que isso. Quando me permito ouvir as vozes que sussurram, mas que ainda estão contidas. Quando aceito as minhas vulnerabilidades e me perdoo pelos meus erros.

Procurar no decorrer dos dias ser cada vez mais autoconsciente mostra-me que ser mãe de três filhos é para mim uma grande conquista na minha vida, mas que esta não precisa de ser a única.

Com amor, Elisabete

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