a entrega à maternidade – o segredo escondido
O ser humano tem uma grande capacidade de abnegação. E apesar de, não ser para todos nem desde sempre, quando assumimos o papel de mãe, a abnegação torna-se uma segunda pele e a entrega à maternidade assume o controle.
Começa tão cedo como quando temos o resultado de vir aí um ser pelo qual seremos totalmente responsáveis. Desde sempre e para sempre.
Desde o primeiro minuto, que as nossas vontades começam a ser suspensas, as escolhas suavizadas e os interesses transformados. Ainda assim, a entrega à maternidade faz-nos sentir tudo isto de um modo tão natural e fluído como o ar que se respira.
Tomamos decisões movidas por “problemas” de coração. Aqueles que nos causam dificuldade em respirar quando não estamos perto ou que não estamos completos quando longe.
Procuramos trazer a nós a noção de família que temos idealizada. Receber o que não recebemos em criança e procurar um sentimento de aconchego para confortar a alma.
Pelo caminho debatemo-nos com todo o tipo de sentimentos. Estes vagueiam inesperadamente entre os mais puros e docemente imaginados e aplaudidos pela sociedade e os mais sombrios, que nos trazem culpa e vergonha de assumir ao mundo.
Encontramo-nos numa constante oscilação entre a melhor coisa do mundo e a mais desafiante. Todos os dias são uma tentativa para que a balança tenha mais peso para o lado da felicidade. A felicidade deles. E ainda aqui, as nossas vontades estão suspensas, as escolhas seguem suavizadas e os interesses continuam a transformar-se.
O processo de evolução é chegar ao equilíbrio. É conseguir perceber que somos mais que uma mãe. É assumir que para lá desse papel, há tantos outros que podemos ser e tantas outras coisas que podemos viver. Que o equilíbrio é o patamar da plenitude e tudo o que daí advém, é muito melhor do que se podia ter imaginado.

Vera
Excelente post!